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POR UMA UNIDADE LATINO AMERICANA

É possível pensar a identidade nacional na América Latina? Esse ensaio se propõe a analisar como se deu, historicamente, o processo de formação da América Latina, resgatando, a partir de narrativas apagadas pelo tempo, o lado oculto da História que não é mostrado nos livros: a violência. Desenterrando relatos e memórias sobre os massacres e abusos que significaram a colonização, dá-se a outra versão do que significou a expansão capitalista para os cantos do mundo que viviam alheios à mercadoria. A partir de uma tentativa de fundir a ótica indígena, escrava, trabalhadora e ambiental com uma interpretação crítico-econômica dos mecanismos e processos de exploração, critica-se a validade das identidades nacionais formadas de cima para baixo, indicando-se um novo horizonte para a interpretação americana. A formação política e econômica do continente teria se dado como uma forma de instrumentalização da exploração e drenagem sistemática das riquezas pelos centros do capitalismo, como a Inglaterra e, mais tarde, os Estados Unidos. Feitos de cima para baixo, os Estados rasgaram povos e uniram arbitrariamente etnias distintas, e injetaram uma aculturação exógena sobre as tradições residentes e escravizadas. Em cinco séculos de história, o papel latino na economia internacional foi entregar suas riquezas, na forma de trabalho ou recursos naturais, aos grandes polos do poder. Esse modelo econômico moldou desde as entranhas a ocupação e a formação do continente, à base de violência. O modelo violento de exploração é a própria América Latina.

Assim, a única identidade possível nos rincões do capitalismo seria uma identidade negativa, histórico-dialética. Ela deve surgir de um resgate popular e coletivo da memória e de uma percepção da História americana como um único processo, travado a ferro e sangue, que carregou toda a população latina através dos séculos. Se se entende América Latina como a materialidade da opressão sistemática capitalista, ser americano deve ser travar uma luta pela própria superação da América Latina enquanto objeto de exploração. Apenas pela suplantação dessa relação de dependência, através da descolonização, é possível que floresça, autonomamente, toda a singularidade e espontaneidade dos povos de maneira horizontal.

Os Estados nacionais americanos nascem aqui e se mantém como instrumentos imperialistas, implantados e articulados pelas classes dominantes internacionais ligadas à Europa e, mais tarde, aos Estados Unidos; mas também fortemente vinculados a uma casta social nacional cujos interesses são subordinados a poderes distantes. Os Estados cortaram povos ao meio e uniram etnias arbitrariamente, injetando de maneira desordenada aculturação exógena sobre as tradições residentes. Após cinco séculos de história, a inserção da América Latina na economia internacional resumiu-se, de forma geral, a um papel agroexportador e extrativista, voltado para os centros do capitalismo. Tal modelo econômico, que nunca foi acatado como opção, mas sim imposto, moldou desde as entranhas a ocupação e formação do continente, estabelecendo como última função a drenagem de riquezas - advindas do trabalho e dos recursos naturais - aos nexos centrais do capital.


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