BEM VIVER

o que é

o bem viver?

movimento social

e político

utopia vivente e prática

linha teórica

O BEM VIVER

O termo bem-viver vem do quechua sumak kawsay, um conceito e prática milenares adotados pelos povos andinos (e amplamente compartilhado por demais sociedades indígenas), que revelam uma forma de se pensar e fazer a vida a partir da satisfação das necessidades de cada um, de uma forma comunal, igualitária e em integridade com o meio ambiente e outros seres. O bem-viver é uma prática ancestral, que sobrevive aos dias de hoje através de práticas solidárias e comunitárias. É, também, uma prática utópica, ou uma "utopia vivente", pois constrói, através da ação imediata, as bases de transição para um mundo ideal no longo prazo.

Recentemente, o bem-viver foi adotado em países latino-americanos enquanto alternativa aos modelos de desenvolvimento progressistas e neoliberais, que acreditam (cada um a sua maneira) no capitalismo enquanto vetor de progresso e bem estar. Na Bolívia e no Equador, movimentos sociais motivados por essas práticas e ideais conseguiram emplacar novas constituintes, que, pela primeira vez na história, adotaram princípios não-antropocêntricos (Direitos da Natureza), não-eurocêntricos (integração latino-americana, autodeterminação e direitos de povos indígenas) e que visem a descentralização e diversificação política, econômica e cultural, enquanto princípios de Estado.

A forma com a qual interpretamos o passado molda a  própria maneira com a qual entendemos a nós mesmos. A história da América  Latina começa com a pilhagem das nossas riquezas naturais e com o genocídio, etnocídio dos povos originários e dos africanos, com seu sequestro e escravização. Nosso motivo de existir foi, desde então, colonial: servir  à reprodução das riquezas de um grupo de países distantes, que sempre se impôs como superior  e adiantado, plenamente desenvolvido.

A história que nos contam é a história dos vencedores, e por isso acreditamos na mentira de que algum dia seremos um país "de primeiro mundo". Mas a história dos vencidos continua viva na memória dos povos assim como está escrita em sua pele.

O começo é muito antes que se possa lembrar. Aqui existiam muitos mundos, cada qual com sua própria história, sua própria cultura e concepção de vida. O Bem Viver vem desde esses povos que, em uma totalidade com o espaço e o meio ambiente, construíam a vida de forma comunitária. Economias heterogêneas de subsistência, voltadas para o uso e a estabilidade, nas quais o compasso do tempo é dado pelo corpo e pelo clima. Concepções míticas da realidade, que entendem o mundo como vivo -- tão vivo quanto nós. 

Hoje em dia, a história se repete como farsa. A estrutura muda suas vestes mas continua a mesma. O Brasil e os demais irmãos latino-americanos continuam, como antes, economias voltadas para a exportação de seus recursos naturais. Os povos indígenas que seguem resistindo bravamente são cada vez menores, e os ex-escravos, agora favelados e trabalhadores, sobrevivem sob os abusos da polícia e do Estado.

A fome do capitalismo é insaciável: por um lado, o agronegócio e a mineração avançam territorialmente cada vez mais, tecnologias de morte como transgênicos, barragens e escavações em alta escala intensificam o modo de acumulação extrativista; por outro, a razão neoliberal ensina as pessoas a medirem o seu valor a partir da produtividade, fazendo da própria função da vida e do tempo simples meios para o lucro.

 

Por meio da cultura e pelos comuns, a vida resiste nos poros dessa economia de morte, com experiências de agroecologia, cooperativismo e movimentos sociais, que mantém vivos os saberes que nos foram legados.

 

 

UTOPIA

Depois que os governos progressistas mostraram ser, como os outros, governos capitalistas, e depois da vitória da extrema direita nas eleições de 2019, podemos dizer que vivemos não apenas uma crise econômica, ambiental e social, mas uma crise de utopias.

 

O Bem Viver, que cruzou o tempo durante toda história,agora se coloca como uma necessidade. É preciso pensar alternativas sistêmicas que apontam para outros mundos possíveis, pois é preciso acreditar em um futuro de vida -- no qual, com diversidade e igualdade, as pessoas possam estabelecer formas de existir que não levem ao colapso ambiental e que não coloquem o lucro sobre a dignidade. Pensamos no Bem Viver não enquanto utopia impossível, mas como um Sul a ser perseguido desde já.

CONJUNTURA

NARRATIVA

ANCESTRALIDADE

TRANSTEMPORALIDADES

 

É possível pensar o Bem Viver enquanto legado, ponto de vista e utopia, através do tempo.

© 2019 por Tapuia.

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